As flores do campo

Pantanal em maio, no frio. Uns 17 graus à noite. Frio de dia também, mas com céu claro no fim da tarde. De manhã não, umas nuvens cinzentas, aquelas aves pretas que sempre voam muito alto por lá. "No frio, os bichos andam melhor", ensinou o Seu Geraldo. "É mais fácil de ver eles, onça, até sicuri. O sicuri gosta é de frio, desses brejos. Ele tem uma banha tão quente, que é capaz d'ele sair no sol e derreter". De veras, vimos um tamanduá bandeira, um veado fêmea e, à noite, um mocho orelhudo, que gritava 'u-uuuu" no alto de uma árvore, e outro respondia 'u-uuuu' do telhado. Do tamanho de um peru, esse mocho. As abelhas, que eram as que procurávamos, ficaram entocadas. Não deram as caras. No ramo dos insetos, só no fim da tarde é que apareceram umas moscas, umas borboletas e besouros, mas já fora do horário de atividade das que buscávamos. Depois do dia cinza, úmido, sem abelhas, foi bom ver o céu se abrir, ainda que sem sol, e, procurando flores abertas para acharmos abelhas, ver como eram muitas as flores do chão, enquanto vivalma enfeitava as árvores. As flores mais biscatinhas, mas de muitas cores e cheias de visitas. As portulacas rosas, os pompons roxos, as margaridas lilases, as tubulares brancas, as membranosas amarelas, as muitas florinhas sem nome.

Comentários

George Camargo disse…
Oi Aninha!

Parabéns! Gostei do texto... vc tem habilidade. A linha que separa a ciência da arte é muitíssima tênue. Por um lado uma certa frustação pela ciência nunca alcançar a neutralidade, por nunca conseguir deixar de ser subjetiva, ao menos um pouco. Por outro, o estímulo de que as verdades que buscamos são de fato as que nós mesmos construímos.

Um beijo, G.
Ana disse…
Você tem razão, G. E na divulgação científica, o momento máximo é o da fusão da arte com a ciência, como fez tão bem Carl Sagan e outros. Uma aventura e tanto.
Beijos,
Aninha
Morgana disse…
Oi Aninha!

Certamente qualquer comentário que fassa não irá representar a emoção que senti ao ler seus textos.
Aos meus olhos e entendimento ciência e poesia de forma tão intrigante que me faz ficar ipnotisada. Ao ponto de não conseguir parar a leitura sem antes terminá-la. Só para saber o desfeicho dessas histórias.
Parabéns!
Carol foca disse…
Que ave é essa, esse mocho?!
Descreva para mim...é tipo uma mãe da lua?!
E adorei mais uma vez o texto!
E insetos voam e aparecem menos mesmo nessa época de seca e frio!!

Mais e mais saudades!
Mil beijocas!

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