Paisagem da janela

Duas ruas para baixo da minha casa, tem o bosque do Museu de História Natural, que, quando crianças, eu e o Leo chamávamos de 'Matinha'. Os antigos moradores do bairro, mesmo depois de tantos anos, ainda o chamam de Horto ou Instituto Agronômico. Antes, havia, ao lado, a favelinha - invasão do terreno da Rede Ferroviária Federal. Agora, lá passa o metrô e há muito mato, e é onde a vizinhança joga entulhos.

Isso eu recordo agora porque hoje acordei com uma paisagem. Na borda da mata havia um pântano com bandos de garças, uns cabeças-secas e maguaris. Era o início da manhã. A cena era clara, a imagem sem filtros. Tinham aqueles raios que anunciam a chegada do Messias atravessando a copa das árvores, penetrando a superfície d'água.

O brejo e as árvores enormes, juntinhos. O pântano na beira da mata.

É domingo e a cidade amanheceu silenciosa. Sem carros, buzinas, liquidificadores ou vizinhos barulhentos. Mas um bando de quero-queros eu ouvi passando para os lados da mata. Como se a cidade tivesse amanhecido em seus tempos de Curral Del Rei. E foi também como no dia do meu aniverário. Como se, finalmente, tivessem se unido os dois lugares em que vivi.

Comentários

sergianne disse…
Minha Caríssima Ana!
Poxa!!!!!!!!!!
Mil vezes!
Foi com lágrimas nos olhos e o coração apertadinho que encerrei a leitura do blog "No ruderal...Lá no Pantanal"
Parabéns pela atitude de eternizar momentos tão sutis de maneira honesta e poético naturalista!
Sergianne
Pilar disse…
Liiiiiiinda descrição.

Vi tudinho, tudinho.
Parabéns pelo texto!
Carol disse…
Noossa!!!
Faz tempo que não entro aqui!!
Vi tudo tb!!
Como sempre você descreve tudo tão perfeito que parece que fazemos parte disso...

Saudades suas!!

Beijocas muitas!!
Eugênia disse…
Ahhh Aninha como eh bom te ler e lembrar de vc!!! e como eh uma saudades boa!!!

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